Blog do Marcelo Lira

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Espécies invasoras, mais do que um problema ecológico, um problema econômico e de saúde pública...



Neste exato momento, sem que quase ninguém perceba, uma perigosa invasão ocorre por todo o Brasil. O perigo desconhece fronteiras naturais e políticas. A ameaça é uma forma de guerra biológica silenciosa, capaz de aniquilar um dos orgulhos nacionais: a megabiodiversidade brasileira. Os agentes de destruidoras batalhas são organismos (animais e plantas) que vieram de outros continentes, quase sempre trazidos pelo homem, involuntária ou deliberadamente. Quando se instalam, estes organismos disputam espaço e alimento com as espécies nativas, geram rombos na economia, alteram o meio ambiente e trazem riscos à saúde humana.  
Em escala planetária, o problema é tão grave que foi considerado pela União para a Conservação Mundial (IUCN) como a segunda maior causa de perda de biodiversidade. No balanço de danos, as invasoras só ficam atrás da destruição direta de hábitats pelo homem, o que inclui desmatamentos, queimadas e assoreamento de cursos d'água. O estrago é estimado em US$ 1,4 trilhão, em termos globais. No Brasil, as espécies invasoras 'devoram' algo em torno de R$ 49 bilhões a cada ano.
Segundo dados do Instituto Hórus, das 136 espécies exóticas invasoras catalogadas até o momento no país, só 13,4% vieram de modo acidental. O restante entrou com a ajuda de governos e de programas internacionais de desenvolvimento'.
"A importação de espécies obedece apenas ao critério econômico. E pior: na maioria dos casos, só uns poucos se beneficiam dos lucros enquanto os prejuízos são sempre socializados, com perdas para o governo, a população e o meio ambiente", pondera o ecólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), William Magnusson. Entre as plantas invasoras mais agressivas, estão diversos tipos de capim adotados por pecuaristas ou para controle da erosão nas margens de rodovias, caso das braquiárias e dos capins anonni, gordura e elefante. Um arbusto europeu, o tojo (Ulex europaeus), também se espalhou pelos estados do Sul, reduzindo a disponibilidade de alimento para a fauna e aumentando os riscos de incêndios. Outro problema são as árvores polinizadas pelo vento, como os pinheiros do gênero Pinus, que também ameaçam a diversidade de campos e cerrados naturais e nem sempre são percebidas como invasoras. 


Entre os animais exóticos existem cerca de 60 espécies dispersas em 22 estados. Os invasores que mais preocupam, devido à alta capacidade de dispersão, são o mexilhão-dourado (Limnoperna fortunei), o caramujo-gigante-africano (Achatina fulica), a rã-touro (Rana catesbeiana), o javali (Sus scrofa scrofa) e o búfalo (Bubalus bubalis), todos "importados" para fins comerciais, exceto o mexilhão-dourado, trazido da Ásia na água de lastro de navios cargueiros.
Os peixes - que poderiam se alimentar dos mexilhões e ajudar a evitar a propagação - são suas vítimas e não predadores. Uma vez ingeridos, os moluscos retalham as vísceras dos peixes, causando-lhes a morte.
Na costa nordeste do Brasil, os invasores também são asiáticos. Introduzidos a partir de criadouros despreparados para contê-los em seus limites, os camarões da Malásia e o Vanamey podem ser capturados com mais facilidade do que as espécies nacionais de camarão. No rio Negro, no Amazonas, de onde saem 92% dos peixes ornamentais comercializados no país, a história se repete com duas espécies de peixes exóticos: o Trichogaster trichopterus e a Poecilia reticulata. O primeiro é um peixe omnívoro (come tanto vegetais como pequenos animais), muito agressivo em relação a espécies menores. Natural da Tailândia, adaptou-se tão bem, que hoje está presente na maioria dos igarapés de Manaus, a mais de 400 km da área de soltura irresponsável, rio abaixo.
Entre os invasores terrestres, a pior ameaça vem da África e atende pelo nome de caramujo-gigante (Achatina fulica). Desembarcou em terras brasileiras trazido por criadores de fundo de quintal, que, mesmo sem autorização dos órgãos oficiais, esperavam que o consumidor adotaria o falso escargot como item alimentar. Mas foi tudo miragem: o caramujo nem chegou aos cardápios dos restaurantes e os criadores, frustrados, deixaram milhares escaparem para o meio ambiente.

Bem maiores, mais rápidos e agressivos que os caramujos, os javalis ignoram barreiras e avançam como uma das mais preocupantes espécies invasoras no Brasil. Chegaram à América do Sul por volta de 1904, trazidos da Europa para o pampa argentino como uma opção de caça. Em 1928, alguns indivíduos foram levados para Colônia, no Uruguai, com a mesma finalidade. Livres, os javalis se dispersaram e chegaram até a fronteira com o Rio Grande do Sul. Em 1989, a estiagem baixou o leito do rio Jaguarão, na divisa, e os javalis passaram para o território brasileiro. Sem predadores naturais, reproduziram-se aos milhares e se disseminaram para o norte, por todos os Estados da região Sul e interior de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Os produtores rurais são os mais prejudicados. 

Bem mais ao norte, em plena Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, milhares de búfalos exóticos circulam livremente onde a lei não permite nem assentamentos humanos. Levados para lá na década de 80 como alternativa econômica, eles romperam as cercas e invadiram áreas importantes para a conservação ambiental. Os rios da reserva estão comprometidos, no solo pisoteado já não crescem plantas e os buritis, palmeiras típicas da região, já desapareceram da paisagem, sem que ninguém saiba como tirar os invasores de lá, vivos ou mortos.

TRECHO RETIRADO DO ARTIGO:  http://eptv.globo.com/terradagente/NOT,0,0,271841,Isso+e+uma+invasao.aspx

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